May 2 2012

6 meses do Oliver

Honey Bunch acabou de fazer 6 meses, mas parece mesmo ter 10. Segundo a pediatra, ele é maior do que 97% dos bebês da idade dele. Desde os 4 meses veste roupas de 9 meses e na semana passada comecei a comprar camisetas e shorts de 12 meses porque os de 9 já estão ficando apertados. Nada para se preocupar aí. Ele nasceu com 57 cm, agora já passou dos 73 cm, então essa curva de crescimento dele é absolutamente normal e esperada.

A primeira coisa que as pessoas notam quando o encontram é a alegria. Ele é extremamente sociável, bem-humorado e abre um sorriso para qualquer um que der atenção para ele (às vezes até para quem não dá a mínima). Vai no colo de todo mundo, embora claramente prefira mulheres a homens. Acho que porque mulheres fazem mais festa nele. Dá gritinhos até a pessoa notá-lo e brincar com ele. Tem medo de gente que fala alto.

Dorme a noite toda no quarto dele, com as luzes apagadas e não liga se tem música ou não. É super ativo, está sempre se mexendo. Mesmo no colo os braços e as pernas não param, o que o torna ainda mais pesado. Rola de um lado para outro e assim percorre a sala inteira, indo parar embaixo de mesas e cadeiras. A nova brincadeira favorita dele é comer o tapete da sala. Estamos sempre de olho, claro, já que decidimos não mudar nossos móveis de lugar.

Já senta sem apoio e está tentando engatinhar, mas só vai para trás em vez de ir para a frente. Adora brincar de esconder e se quando no colo do pai eu vou atrás dos dois, ele acha que é para pegá-lo, aperta o pescoço do pai bem forte e grita bem alto. De medo e felicidade. Está super falante. É um tal de “mama”, “baba”, “dada”, “dede” o dia todo. Baba horrores e os primeiros dentinhos estão para nascer. Adora uma garrafa de água vazia, uma revista velha, uma almofada. Tudo para ele é brinquedo.

Começou a comer papinha e a beber água. Nunca esquentamos a mamadeira dele. Bebe seu leite e come sua papinha em temperatura ambiente. E adora. Come muito, ao ponto de chorar se demoramos a colocar a colher na boca dele. Eu mesma preparo suas papinhas (sem óleo, sal ou açúcar) porque aquelas de supermercado têm muito sódio, inclusive as ditas orgânicas.

Cozinho diferentes papinhas no domingo, coloco em potinhos esterelizados e congelo. Vario o cardápio todos os dias. Já experimentou todo tipo de legume e fruta. Dei até inhame (achei no Whole Paycheck). Até agora gostou de tudo, principalmente de banana. Toma café da manhã, almoça e janta. Seguindo um hábito cultivado pela família há anos, só come alimentos orgânicos. Raramente chora. É um bebê muito bonzinho.

Na aparência herdou de mim apenas os olhos grandes de jabuticaba, como apontou a Tacia. A personalidade é forte. Já deu para ver que com ele será no “pau é pau, pedra é pedra”. Não é tímido. Definitivamente não terá problema em dizer o que pensa e sente. Igual a mamãe. hahaha.



Apr 27 2012

O que foi feito do tempo?

Eu ando sumida do blog, mas é que ultimamente me falta tempo para tudo. No pouco de tempo que sobra eu prefiro fazer outras coisas e fico sem paciência de atualizar o blog. E-mails acumulam na minha caixa de entrada, falo que vou ligar para alguém, o dia passa e não ligo, nem lembro qual foi a última vez que escrevi algo no Twitter. Sinceramente, eu ando tão ocupada que perco completamente a noção do tempo. Olho o relógio e são 10h. Olho de novo, 16h. Pisco e já são 23h. E percebo que continuo cheia de coisas para fazer. Algumas só consigo fazer de madrugada. Dormir virou luxo.

Tem um monte de coisa acontecendo por aqui, felizmente, a maioria delas boas. Estou com compromissos dentro e fora de casa, então tem dia que saio, volto para dar o almoço do Oliver e aí saio de novo. De noite estou só o pó! Sexta-feira é o dia mais cansativo pra mim porque é o fim de uma semana invariavelmente lotada de coisas para ver, fazer e resolver. A vida do marido também não anda nada fácil. Trabalhando demais, administrando as coisas do meu sogro, chegando em casa tarde da noite. Temos ido jantar depois das 22h. Raramente vamos para a cama antes da meia-noite.

Em meio a esse turbilhão de coisas, tentamos nos manter lúcidos saindo para nos divertir nos fins de semana, mas nos três últimos só fizemos trabalhar. Muitas mudanças, novidades e projetos pela frente. Estamos exaustos! De quebra, andei tendo uns problemas de saúde (nada sério, felizmente), mas chatos o suficiente para deixar minha vida ainda mais louca. Estou com Rosácea e Blepharitis (não sei o nome em português, é uma infecção no olho). Os dois problemas estão relacionados e começaram logo após o nascimento do Oliver.

Rosácea é uma coisa horrível, principalmente para uma pessoa como eu, que nunca teve nenhum tipo de problema na pele, nem mesmo na adolescência. A diferença da rosácea para a acne comum é que essa deixa a pele extremamente vermelha. É uma cara de palhaço, com aquelas bolas vermelhas na face, no nariz, no queixo e na testa. Não dá para sair de casa sem maquiagem, mas a base me dá coceira, o que piora o problema. Estou me sentindo horrível.

Blepharitis é pior ainda. Causa vermelhidão, muuuita dor e inchaço no olho. Em janeiro fui a oftalmologista e ela me passou uma pomada antibiótica que resolveu o problema. Mês passado, voltou com força. Passei a Páscoa trancada em casa, com cortinas e persianas fechadas, luzes apagadas, sem poder ver televisão nem olhar para a tela do computador. Isso porque Blepharitis causa extrema sensibilidade a luz. Chegou uma hora eu não podia mais dirigir porque nem com óculos escuros eu conseguia abrir meu olho. Me deu até enxaqueca, coisa que nunca tive antes. Estou no antibiótico de novo. Tanto a Rosácea quanto a Blepharitis são problemas crônicos. Estou ferrada!

Afora a falta de tempo e essas chateações com meu olho e minha pele, nós estamos bem, tocando a vida. O Oliver está uma graça, cada dia mais feliz e esperto. Com as mudanças que estão por vir, decidimos contratar mais ajuda. Já temos uma pessoa que limpa nossa casa duas vezes por semana, mas isso vai ter de aumentar. Também temos uma babysitter que cuida do Oliver nos dias em que tenho compromissos fora de casa.

Levo ele comigo para quase todos os cantos, mas para meus compromissos fixos eu não posso levá-lo, então ele fica com a babá, que ele adora! Só que em alguns meses nós vamos precisar de alguém para me ajudar a cuidar dele todos os dias e aí só uma nanny mesmo. Mas primeiro iremos fazer umas viagens e na volta veremos isso com calma. Porque ninguém é de ferro, né?



Mar 21 2012

A história do meu parto em casa

O meu parto estava previsto para acontecer no dia 11 de outubro de 2011. Mas como apenas 5% dos bebês de parto normal nascem na data prevista e sendo esse meu primeiro filho, eu sempre soube que ele nasceria uma ou duas semanas depois da minha due date. Eu não estava nervosa, eu sabia que ele nasceria na hora em que estivesse pronto. Também comecei a perceber mudanças rápidas no meu corpo nas últimas semanas de gestação.

Como contei aqui, eu não quis conhecer detalhes do que acontece na hora do parto porque eu queria que meu corpo me guiasse e me dissesse o que fazer. E assim foi. Segui até o final minha rotina normal: cuidei da casa, concluí projetos, dirigi, passeei, jantei fora. Nessa fase, mais do que nunca, foi muito importante manter os dates com o marido. Estávamos só na espera, sem ansiedade, felizes da vida com nosso pequeno que estava por vir. Namoramos e passeamos muito naqueles dias.

Na terça-feira, dia 18 de outubro, eu tive terapia e meu terapeuta disse que não queria me ver na sexta-feira porque era óbvio que meu bebê estava para nascer. Ao sair do consultório dele comecei a sentir leves contrações, nada muito diferente do que eu já vinha sentindo nos últimos dias. Naquela noite, no entanto, durante o banho, notei que as contrações ficaram mais fortes. Resolvemos ligar para a midwife, que nos pediu para começarmos a contar as contrações, mas avisou que ainda tínhamos longas horas de espera pela frente.

Eu não quis contar as contrações, nunca achei mesmo que me incomodaria em contar nada, é o tipo de coisa que nunca achei útil, mas meu marido quis contar e ficou atualizando a midwife dos resultados pelo telefone. Tentei dormir, tomei outro banho, mas me sentia cada vez mais desconfortável e acabei vomitando diversas vezes, o que não me assustou porque eu sabia que poderia acontecer. Durante todo o dia 19 ficamos em constante contato com as midwives, que vieram a nossa casa diversas vezes para checar como eu estava, mas não era a hora ainda, a bolsa não tinha estourado e não havia nada para elas fazerem aqui.

Nesse meio tempo, durante todo aquele longo dia, as contrações foram ficando cada vez menos espaçadas e mais dolorosas. A cada onda eu lidava com a dor de forma diferente: deitava no chão, sentava, caminhava, balançava de um lado para o outro, recebia massagem do marido, depois voltava e fazia tudo de novo, mas numa ordem diferente. Qualquer coisa, desde que funcionasse. Nunca senti medo nem ansiedade, sabia que era assim mesmo, que nós ficaríamos bem e que daríamos conta do recado.

Lá pelas 20h da noite as contrações ficaram realmente curtas e a dor se tornou alucinante. Entre uma contração e outra eu bebia muito líquido com potássio e comia proteína leve, já que minha pressão arterial sempre muito baixa foi a única preocupação na minha gestação e no meu parto, e ela não podia cair ainda mais senão eu ficaria muito fraca e poderia desmaiar. Por incrível que pareça, mesmo depois de um dia inteiro de contrações horríveis e de vomitar tudo que eu bebia, jamais me senti fraca ou tonta. Pelo contrário, eu mantive o tempo todo uma energia incrível!

A midwife voltou, checou minha dilatação (3cm) e aí ficou de vez. A outra midwife e sua assistente chegaram logo depois e em menos de meia hora minha bolsa estourou. Tirei a roupa e imediatamente entrei na banheira. Nunca me ocorreu entrar na banheira antes disso porque (e essa foi uma das razões por que eu escolhi o parto em casa) eu queria decidir como manejar a dor do meu jeito, no meu tempo, sem intervenção, lançando mão daquilo que me deixasse mais confortável na hora.

Não usei aquelas bolas, não contei 1, 2, 3, não chupei gelo, não quis ouvir música, não quis cantar, não usei técnicas de respiração ou hypnobirthing, nada disso. Lá atrás eu já tinha percebido que essas técnicas todas, embora eficazes para outras mulheres, jamais funcionariam comigo. Eu teria de encontrar meu próprio jeito, ritmo e sistema. Por isso foi tão importante para mim o fato de minhas midwives respeitarem meu jeito e não tentarem me impor nada em que eu não acreditasse ou com o que eu não me sentisse confortável.

Quando entrei na banheira veio aquela contração fortíssima e eu pensei na hora: “Caralho, essa merda dói mesmo”! A esta seguiram-se outras, ainda mais fortes. Nos intervalos, curtíssimos, entre uma contração e outra, eu mergulhava em mim mesma, ignorando totalmente tudo e todos ao meu redor. As três midwives ficaram em volta da banheira e meu marido ficava colocando toalhas molhadas na minha testa, conversando comigo e tentando me acalmar.

Mas aí é que tá. Eu não precisava ser acalmada, eu já estava super calma. Só não queria ninguém conversando desnecessariamente comigo e muito menos me tocando. Antes do parto, influenciada por uns vídeos de parto natural que vi na internet, fiquei com receio de minhas midwives apelarem para aquele papo-holístico-besta-de-hippie-em-aula-chata-de-yoga, mas felizmente elas souberam encontrar um jeito de se tornarem invisíveis e se fizeram presentes somente quando foi necessário ou quando foram solicitadas.

Naquele momento não havia muito o que elas pudessem fazer, então duas delas foram para o quarto e apenas uma permaneceu no banheiro comigo, para se certificar de que tudo corria bem, ao mesmo tempo em que checava meu estado geral e a temperatura da água. Foi muito bom poder usar nossa própria banheira em vez de termos de alugar uma. Mas cá entre nós, não achei que a água morna ajudou com a dor. Ajudou sim a aliviar o peso e o desconforto nas costas, mas para a dor das contrações não achei que ajudou em nada não. Ainda assim, só a possibilidade de poder ficar lá sentada, quase deitada, totalmente concentrada em mim e no meu corpo, já fez o parto na água valer a pena.

Lá pelas tantas da madrugada, algo incrível aconteceu: eu entrei numa espécie de transe em que não vi nem senti mais nada nem ninguém ao meu redor. De repente éramos só eu e meu corpo. Meu marido não existia, as midwives não existiam. Eu ouvia eles conversando, mas as vozes vinham de muito longe. Fiquei de olhos abertos quase que o tempo todo, mas não vi nada nem ninguém. Nunca o resto do mundo e as outras pessoas pareceram tão desimportantes e distantes da minha realidade como naquele momento. Ao mesmo tempo, nunca me senti tão poderosa, tão segura de mim, tão forte e capaz.

Foi naquele momento que percebi que essa era a razão de eu ter feito a escolha pelo parto em casa. Eu queria estar totalmente consciente do que acontecia dentro do meu corpo, sem nada para anestesiar essa consciência. Eu queria sentir cada contração, cada dor, cada transformação vivida pela minha mente e pelo meu corpo, sem intervenção, assim, na unha mesmo. Não quis ninguém segurando a minha mão, acariciando meu cabelo nem dizendo o quão maravilhosa eu era. Aquele era um momento totalmente orgânico para mim e como tal eu queria vivê-lo. Eu sabia que eu ia dar conta.

Depois de um tempo, os sons, os cheiros, mesmo a dor, foram se evanescendo e entre uma frase e outra trocada com meu marido e com as midwives eu tive total consciência de que aquela era a experiência mais poderosa da minha vida. Eu me desliguei de absolutamente tudo que acontecia ao meu redor! Tem coisas que mais tarde meu marido me contou que eu falei, que ele falou ou que aconteceram na hora que eu simplesmente não me lembro. A consciência do meu corpo, daquela dor lancinante, da vida que eu estava trazendo ao mundo me deixaram tão inebriada que eu mergulhei em mim mesma e naquele momento magnífico. Nada nem ninguém existiam para além de mim mesma. Eu e meu corpo se tornaram maiores do que tudo.

Não lembro quanto tempo exatamente durou essa fase final do trabalho de parto, mas sei que não foi muito longo. Eu não fazia a menor ideia de quando seria a hora certa de começar a empurrar. Mas é incrível como nosso corpo nos diz o que fazer no momento exato porque quando chegou a hora eu soube imediatamente o que tinha de fazer. “Acordei” do meu transe com a midwife dizendo que a cabeça do Oliver estava saindo. Depois disso empurrei mais algumas vezes e quando achava que ia voltar ao meu isolamento de novo escuto a midwife dizer: “Eliane, seu filho nasceu!”. Eram 5h25 do dia 20 de outubro de 2011, uma quinta-feira.

Abri os olhos e vi meu marido segurando aquela coisa pequenina, rosada e enrugada nas mãos. Alguém o colocou contra meu peito, eu o apertei bem forte e o enchi de beijos pela primeira vez, ainda com aquele sentimento de irrealidade, sem conseguir acreditar no que meu corpo tinha feito, no presente que ele tinha me dado e que eu tinha em meus braços naquele momento. Ali, naquela banheira que raras vezes usamos antes do nascimento do nosso filho, tive consciência pela primeira vez de que éramos uma família e senti que aquele momento grandioso e único nos uniria para sempre.

A partir daí são só memórias borradas. A dor desapareceu sem que eu notasse. As midwives me levaram até a cama, onde eu e meu marido deitamos abraçados com o Oliver ainda ligado ao cordão umbilical. Ele chorou e eu o amamentei. Já eu só ficava rindo de felicidade. Meu marido tirou a camisa e abraçou forte o Oliver contra o peito, o que fez o choro dele parar quase que imediatamente. Naquelas duas horas em que ficamos na cama eu voltei a me desligar de tudo e não prestei atenção em nada que as midwives falavam. A diferença é que agora não era mais só eu e meu corpo, mas também meu marido e o Oliver.

Ele cortou o cordão umbilical e ficou o tempo todo conosco na cama, até que a midwife me levou de volta ao banheiro para me ajudar com o banho. Assim que saí do chuveiro me senti tomada de uma fome voraz e de uma energia incrível. Eu sentia que poderia matar um leão na porrada ou devorar um inteiro de uma só vez. Ficava andando de um lado para outro, amamentava o Oliver, tagarelava e me sentia a mulher mais poderosa e feliz do mundo! Vi o dia nascer assim, cheia de adrenalina, enquanto as midwives me trouxeram algo para comer.

Elas checaram o Oliver sem jamais tirá-lo de perto de mim. Como um galo e uma galinha protegendo seu pintinho, nós ficamos observando todos os procedimentos que elas faziam nele. Mais ou menos às 8h da manhã elas foram embora e nós demos o primeiro banho no nosso bichinho, que adorou a experiência. Depois disso ligamos para nossos pais para dar a notícia e fomos descansar. Mas quem disse que eu consegui dormir? Passei o dia todo naquela energia brutal, querendo fazer tudo e me sentindo ótima. Demorou uma semana para a minha adrenalina baixar e eu finalmente sentir necessidade de descansar.

No dia seguinte, a menina que trabalha aqui veio nos visitar e ficou surpreendida com a limpeza e organização da casa. É isso mesmo. Não existe “sujeira” nenhuma. Elas forram tudo, chão, cama, estofados, lavam a banheira, lavam a roupa de cama, preparam sua primeira refeição, tomam conta do lixo hospitalar, cuidam de absolutamente tudo. Duas horas depois do meu parto ninguém entraria na minha casa e diria que eu havia acabado de ter um bebê no banheiro do meu quarto.

Felizmente tudo correu bem para mim na minha gestação, no meu parto e no pós-parto. Mas eu sei que poderia ter sido diferente. O que importa é que eu teria enfrentado o que quer que fosse da mesma forma que enfrentei um parto natural e sem anestesia: com muita confiança e força de vontade. Não subestimei a mim mesma. É impressionante o que seu corpo pode fazer quando você permite que ele aja. Muitas pessoas depois vieram me perguntar que técnica eu usei para lidar com a dor do parto. Minha técnica foi não usar técnica pré-pronta nenhuma. Além de cuidar super bem da minha saúde, não fiz absolutamente mais nada. Eu quis deixar para o momento, para que meu corpo e minha cabeça me guiassem quando chegasse a hora.

E foi lindo. Tão lindo que mesmo demorando 5 meses para relatar essa experiência para vocês, ela de tão forte continua fresca na minha memória, inclusive os detalhes. Não tem como esquecer momento tão especial e único! Eu ainda sou tomada de emoções avassaladoras quando lembro, falo ou escrevo sobre meu parto. Choro enquanto escrevo este post, mas é de emoção, de felicidade. Quando passou, eu senti falta. Não da dor, mas daquele sentimento de empowerment que me dominou durante toda a minha gestação e meu parto.

Meu marido foi um parceiro incrível durante as minhas muitas horas de trabalho de parto. A paciência, a disposição, a prontidão e a compreensão que ele me ofereceu durante aquele momento igualmente importante para ele só me fez ter ainda mais certeza de que escolhi o homem certo para ser meu parceiro da vida e pai dos meus filhos. Ele foi maravilhoso ao saber recuar quando entrei na banheira e senti que a partir dali eu queria que fôssemos só eu e meu corpo. Tem de ter muita segurança em si próprio para não se sentir excluído. Porque a verdade é que ele não foi.

Hoje, cada vez que olho meu filho lindo, saudável, feliz brincar com o pai e dar gargalhadas sonoras eu percebo que minha vida adquiriu um sentido ainda maior do que já tinha antes. Não é que eu precisei casar e ter filhos para dar sentido a minha vida. É que eu percebi que foi preciso todo o amor desinteressado desse homem que tanto me dá e desse pequeno ser desdentado de 5 meses que dá gritinhos de felicidade quando o pego no colo para eu perceber que o momento mais feliz da minha vida é este agora, é o que estou vivendo hoje, não o que vivi ontem, não o que vou viver amanhã.

Não aguento gente que vive no passado, como se o que tivemos ontem fosse sempre melhor do que o que temos hoje, nem aqueles que projetam uma felicidade futura para quando algo especial finalmente acontecer: o emprego certo, o amante perfeito, a esposa linda, o primeiro milhão na conta bancária. Nunca o presente, com seus altos e baixos, sua realidade bonita e feia, os desafios e as dádivas que todos os dias temos para enfrentar ou agradecer.

Não acho que sou mais especial do que os homens só porque a biologia me permitiu gerar um filho dentro de mim. Acho isso puro sexismo. Mas naquele momento em que eu estava na banheira, “sozinha” comigo mesma e com meu corpo, ninguém no mundo estava mais consciente de si mesma nem tinha mais poder do que eu. E como mãe eu descobri que sou ainda mais forte do que eu já sabia que eu era. Pequenas coisas perderam a importância diante da grandeza e do desafio de criar meu filho. Porque isso, por si só, já é muito trabalhoso.

Para quem diz que fui corajosa, adianto que não precisei de coragem nenhuma porque minha escolha nunca envolveu medo ou frio na barriga. Precisei somente de confiança e da certeza de que aquela era uma experiência que eu queria poder viver por inteiro, com crueza e na totalidade do meu corpo, da minha força, da minha vontade e capacidade.



Mar 13 2012

Depois da tempestade

Março é um mês que geralmente começa feliz para nós, celebrando meu aniversário e nosso aniversário de casamento. Mas este ano as celebrações ficaram em suspenso porque todos aqui em casa adoeceram de uma gripe fortíssima. O Oliver infelizmente foi quem ficou pior. A gripe evoluiu para outros problemas mais sérios e ele infelizmente teve de ser internado na semana passada. Foram dias de muita preocupação, tristeza e angústia para nós.

Embora soubéssemos que ele ia ficar bom, foi extremamente doloroso ver nosso bebê ser levado de ambulância para o hospital, ser todo furado e ter aquele monte de médico e enfermeira movendo ele para lá e para cá, numa idade em que o universo da criança é tão pequeno e restrito. Chegou uma hora ele chorava só de ver alguém de uniforme se aproximar. Mas o staff do hospital foi maravilhoso, não podíamos esperar profissionais mais gentis e carinhosos para cuidar do nosso filho.

Um dia antes da alta, abraçando a ovelhinha que a Aline deu pra ele.

Ele já está em casa, voltou a beber o leitinho dele e felizmente voltou a sorrir e a brincar como antes. Só vomita às vezes por causa da tosse e está muito sensível, quer colo o tempo todo. Mas o estado geral de saúde dele melhorou incrivelmente, o que mostra que ele é um bebê muito forte e valente. Obrigada novamente àqueles que mantiveram o Oliver em seus pensamentos e que torceram pela recuperação dele. Vocês não imaginam como isso foi importante para nós.

Feliz e sapeca

Ontem fomos jantar no The Capital Grille, em Troy, um dos nossos restaurantes favoritos, para celebrar nossos 4 anos de casados e a recuperação do Oliver. Nosso melhor presente.



Feb 27 2012

Escolha pelo parto em casa

Eu sempre achei que se um dia tivesse um filho ele nasceria no hospital, de parto normal, pelas mãos de um médico. Após uma experiência negativa com uma ginecologista daqui que me disse que mulheres bipolares costumam abortar porque elas geralmente engravidam por ficarem muito promíscuas durante a fase maníaca, meu psiquiatra, horrorizado com o que ela disse, sugeriu uma midwife, por acreditar que esta seria uma opção de pré-natal mais adequada para mim, considerando minha condição.

Comecei então a ler sobre o trabalho das midwives, o parto natural e na água, vi vídeos, pesquisei na internet e cheguei à conclusão de que era aquilo que eu queria para mim naquele momento. Iniciei portanto meu pré-natal em uma clínica local, mas após constatar que as midwives de lá faziam partos apenas em hospitais (onde eu não teria a opção de um parto na água) e perceber que ali minha opinião e minhas preferências não seriam levadas em conta, resolvi procurar por outra alternativa.

Visitamos um birth center que fica a 2 horas da nossa casa, mas além de termos ficado desconfortáveis com a distância, meu marido detestou a midwife porque ela respondia com evasivas às perguntas dele sobre situações de emergência que poderiam acontecer durante o parto. Naquela noite voltamos para casa frustrados, eu já estava grávida de 3 meses e sem noção de onde faria meu pré-natal. Foi então que meu marido sugeriu: “Por que não um parto em casa”?

Eu já havia pensado em um homebirth, mas nem cheguei a sugerir essa opção porque duvidei que ele se sentiria confortável. Sem contar que a maioria dos seguros de saúde não cobrem partos fora do hospital, o que significava ter de pagar do nosso bolso todo o pré-natal, parto, supplies e exames. Imaginem então a minha surpresa e alegria quando ele demonstrou querer o mesmo que eu! Tão mais fácil quando os dois querem a mesma coisa! Afinal, se você está em um casamento, as escolhas têm de ser conjuntas.

No dia seguinte entrei em contato com um grupo de midwives aqui em Ann Arbor que fazem parto em casa, agendei uma visita e já no primeiro encontro nós dois tivemos certeza de que aquela era a opção certa para nós. Elas ficaram duas horas conosco, esclarecendo pacientemente todas as nossas dúvidas, explicando como o pré-natal funcionava, o parto, o pós-parto, os riscos, as estatísticas. O que nos deixou mais confortáveis foi o fato de elas não nos darem respostas evasivas quanto aos procedimentos adotados em situações de emergência, de demonstrarem conhecimento e experiência, e principalmente por respeitarem as nossas vontades e escolhas.

Não sei como o parto com midwives funciona em outros países, mas aqui é algo muito profissional e responsável. Meu pré-natal em geral seguiu os protocolos de um pré-natal com um médico obstetra. A diferença é que elas ficavam pelo menos 1 hora comigo em cada visita, procuravam saber como eu estava não apenas fisicamente, mas também emocional e psicologicamente. Sempre incluíram meu marido no processo de escolhas e decisões, e sempre me deram opções, nunca tentaram me impor absolutamente nada, mesmo eu discordando delas em alguns aspectos.

No último trimestre de gestação elas nos visitaram em casa para conhecer o itinerário, verificar se havíamos adquirido todos os apetrechos necessários para o parto, se o quarto do bebê estava organizado, se a cozinha estava abastecida e até se a cama onde eu iria dormir durante o pós-parto era adequada a minha recuperação. Tudo isso sempre em um clima de amizade, de muita leveza e bebericando chá. Com elas eu tinha a impressão de estar batendo papo com minhas tias. Até meu marido ficava relaxado. Durante o pós-parto elas nos visitaram em casa outras 3 vezes, mais uma vez no consultório delas para examinar a mim e o Oliver.

Elas também estavam disponíveis para nós durante 24 horas por dia para responder quaisquer dúvidas e emergências. Isso foi fundamental para nós já que decidimos ter uma gestação “intuitiva”, isto é, apesar de termos nos educado e preparado bastante para o nascimento do nosso primeiro filho, decidimos não fazer curso de pais e eu não quis conhecer cada detalhezinho do trabalho de parto, o que acontece, o que não acontece, como funciona. Eu queria sentir o momento com intensidade, sem formar uma opinião antes do momento final.

Nunca, em momento nenhum da minha gestação, minha confiança na escolha de parto e de profissional que eu fiz ficou balançada. Nós estávamos preparados para os mais diferentes cenários e sabíamos que em qualquer um deles saberíamos tomar a decisão que fosse mais segura para mim e para nosso bebê. Fizemos apenas os exames e testes que achamos relevantes fazer e nossas midwives foram perfeitas, respeitaram nossas escolhas até o fim. A Aline e o marido dela, que é médico, também foram fundamentais nessa fase já que ele tirou todas as dúvidas, do ponto de vista médico, que tínhamos sobre o pós-parto e os cuidados com um recém-nascido. Eles são amigos incríveis!

Como conto no próximo post, meu parto correu maravilhosamente, sem nenhum problema e eu tive a experiência mais incrível da minha vida com o parto natural e em casa. Mesmo assim, eu não indico esse tipo de parto (nem nenhum outro especificamente) para mulher nenhuma porque essa decisão, como qualquer outra que envolve um filho, é muito, muito pessoal e eu nunca vou dizer para outra mãe o que é melhor para ela e seu filho. De qualquer forma, esse é um tipo de parto que a mulher tem de ter certeza do que quer, tem de se educar, tem de pesquisar, tem de se sentir confortável e confiante na sua midwife, tem de cuidar rigorosamente da alimentação e da saúde porque há certas condições de saúde que podem dificultar ou até mesmo impossibilitar o parto natural.

E, principalmente, tem de se preparar para as críticas, para enfrentar o preconceito e estranhamento das pessoas, para a ignorância dos que pensam que o parto natural é o mesmo que ter um filho no meio do mato, sem assistência, e que as mulheres que fazem essa escolha são hippies ignorantes e românticas. Eu não sou nem hippie, nem ignorante, nem romântica, mas para tentar nos preservar, a maioria das pessoas só ficou conhecendo nossa opção de parto após o nascimento do Oliver.

Esclarecendo que eu não tenho absolutamente nada contra o parto no hospital. Sou contra sim a mulher não estar em poder de decisões que envolvem um corpo e uma gestação que são principalmente dela e de ninguém mais. Eu não sei qual seria minha escolha de parto na eventualidade de um segundo filho, a única coisa definitiva é que, mais uma vez, teria de ser uma opção em que minhas decisões e escolhas fossem contempladas.

P.S.: O próximo post será a história do meu parto. Resolvi desmembrar os posts porque um só ficaria muito longo. 



Feb 20 2012

Oliver faz 4 meses

Nosso Oliver está completando 4 meses hoje. Está pesando 8kg e medindo mais de 69cm. É incrivelmente ativo fisicamente, sacode enlouquecidamente os braços e as pernas (principalmente quando alguém de quem ele gosta se aproxima), o que torna as trocas de fralda e a hora da mamadeira verdadeiros desafios. Arranha nosso pescoço e a própria cara dele, apesar de eu cortar suas unhas duas vezes por semana. Já rolou algumas vezes tanto de barriga para baixo quanto para cima, gira o corpo igual um peãozinho e já está começando a sentar. Raramente gofa, nunca teve cólica, gripe ou febre.

Acha que tudo é brinquedo. Puxa cabelos, morde queixos, arranca brincos e joga mamadeiras longe. Gosta de ser carregado em pé no ombro do pai, é fascinado por lâmpadas acesas e suas próprias mãozinhas. Acabou de descobrir o pé. Ama música alta e dá risada quando cantamos para ele. Sua canção de ninar preferida é All the Pretty Little Horses. Adora barulho de chuveiro e passear de carro. Comporta-se muito bem em hotéis, restaurantes e na casa dos outros.

Tira 3 sonecas super curtas de dia. De noite dorme sozinho e feliz no seu próprio quarto, mas fica insuportável se passar da hora de ir para o berço (às 19h). Durante o dia quer companhia constante e não gosta de brincar sozinho. Ama um colo e dormir com a cabeça coberta pela mantinha. Fala muito auá auá auá até cair no sono com a cara enfiada no meu sovaco. Sente muito calor, odeia o sling, mastiga a própria língua e se assusta quando o pai fala alto no telefone. Adora tomar banho, toma dois por dia, às vezes de banheira, às vezes de chuveiro com a gente.

É um bebê feliz, que já acorda de bom humor e está sempre sorrindo para tudo e para todos. Grita alto e o tempo todo, de pura alegria. Joga a cabeça para trás e berra até ficar rouco e vermelho. Gargalha de engasgar. Faz um monte de bolhas e depois cospe tudo na cara da gente. É super sociável, não estranha ninguém e vai no colo de qualquer pessoa que sorrir para ele. Adora a Aline. A boca treme de tanto rir quando a vê e falta se jogar no colo dela. Segue a gente com os olhos e reage quando o chamamos pelo nome.

O próximo post será a história do meu parto. Prometo. Agora sai. hehehe



Feb 17 2012

Pediatras e pedófilos

Hoje recebemos uma carta do consultório de pediatria aonde levamos o Oliver informando que um dos médicos associados foi demitido  após ser preso pelo FBI sob a acusação de espiar 4 vezes pela janela de uma de suas pacientes e também por fazer xixi em frente à janela dela. A menina tem 12 anos e é paciente desse médico desde que nasceu.

O médico e a menina são vizinhos e da cozinha da casa dele ele conseguia ver a menina nua no banheiro do segundo andar da casa dela. A criança disse que dois anos atrás flagrou o médico a olhando pela janela, mas que seus pais não acharam nada de errado nisso acreditando que ele estava apenas “olhando na direção da casa”, sem segundas intenções.

Essas denúncias estouraram em outubro de 2011 e muitas pessoas duvidaram da culpabilidade desse médico de 65 anos, cara de Papai Noel e com 34 anos de experiência. Em janeiro deste ano o FBI revelou que encontrou mais de 100 imagens de pornografia envolvendo adultos, crianças e adolescentes no computador de sua casa e registros no cartão de crédito mostraram que o médico assinava um site pornográfico envolvendo menores de idade.

O pediatra será sentenciado em março e pode pegar no máximo 2 anos de prisão. Também entrará para o registro nacional de criminosos sexuais. A licença médica dele foi suspensa após sua prisão, mas não se sabe por quanto tempo nem se será permanente.

Também no final do ano passado um médico residente em pediatria da Universidade de Michigan foi preso após outra residente encontrar por acaso um pen drive contendo imagens pesadas e explícitas de pornografia infantil. O médico foi identificado e proibido de entrar na universidade. No seu computador em casa o FBI encontrou mais imagens comprometedoras. Ele foi preso e solto posteriormente após pagar fiança de 10 mil dólares.

Evidentemente os outros médicos da clínica, incluindo a pediatra do Oliver, não têm nada a ver com essa história. Mesmo assim, na consulta dele de 4 meses vou conversar com a pediatra sobre o que aconteceu, mais para me tranquilizar mesmo. Não pretendemos trocar de pediatra. Ela é ótima e de qualquer forma o Oliver nunca fica sozinho nem com ela nem com os enfermeiros da clínica. O importante é ficar de olho, é tomar precauções e sempre, sempre prestar atenção na sua criança, mesmo que às vezes o que ela diz soe como pura fantasia ou lorota.

E os tarados estão por toda parte. Outro dia li sobre uma menina que sumiu a apenas 2 quarteirões da escola. Seu corpo foi encontrado meses depois em uma floresta. Ela havia sido estuprada e foi asfixiada. Após ser preso o assassino contou à polícia que naquele dia estava puto porque havia acabado de brigar com a namorada quando passou de carro por essa menina. Ele a obrigou a entrar no carro sob ameaça (mentiu que tinha uma arma) e o resto é história. Quando perguntado por que ela, ele respondeu: “Ela estava no lugar errado, na hora errada”.

Não é mera coincidência o fato de ambos os casos envolverem médicos pediatras. Um pedófilo jamais escolheria oftalmologia como carreira, né? Não me interessa que meu psiquiatra fique repetindo que esses casos são raros. Raros my ass! Sempre fui cuidadosa e agora que tenho um filho fiquei mais ainda.

Desde o ano passado a polícia tenta prender um estuprador que já fez 7 vítimas aqui em Ann Arbor. Não saio de casa sem meu spray de pimenta. Vou dar bobeira e achar que só comigo ou com minha família é que nunca vai acontecer? Eu cago de medo de tarado. Mesmo. E tarado de criança é a escória da escória.



Feb 13 2012

Filhos de brasileiros nascidos no exterior

Na semana passada fui ao Consulado Brasileiro em Chicago renovar meu passaporte e aproveitei para tirar uma dúvida sobre registro de filhos de brasileiros nascidos no exterior. Na internet há muitas informações desencontradas sobre esse tema, sendo que a maioria afirma que os consulados brasileiros no exterior não dão visto de turista para filhos de brasileiros nascidos aqui fora e que por isso os pais seriam obrigados a tirar o passaporte brasileiro da criança para permitir a entrada e saída dela do Brasil.

Essa informação me preocupava porque há muito tempo eu decidi que não registraria nem tiraria o passaporte brasileiro do meu filho. Além do passaporte americano o Oliver tem também o passaporte italiano, mas essa foi uma escolha do pai dele, que eu respeitei porque é um direito dele como pai. A razão por que eu tomei essa decisão em relação a cidadania brasileira dele é por considerar que essa é uma escolha para o Oliver fazer quando ele tiver idade suficiente para isso.

Eu não gosto do conceito de transformar um direito, uma escolha, em algo arbitrário, imposto, ainda que vantagens infinitas me sejam apontadas. Ele vai ter um passaporte brasileiro se ele um dia manifestar esse desejo para mim. Minha decisão seria a mesma se eu tivesse nascido na Suíça, na Austrália ou no Congo. É uma questão de princípio.

REGISTRO DE FILHOS DE BRASILEIROS NASCIDOS NO EXTERIOR

A informação que recebi no consulado (por telefone e pessoalmente) é que essa informação é incorreta e ultrapassada, porque anos atrás costumava ser assim, porém essa regra mudou. Hoje, garantir a cidadania brasileira do seu filho nascido no exterior é considerado um direito e não mais uma obrigação. Portanto, vistos de turistas são sim fornecidos a filhos de brasileiros nascidos no exterior, que podem entrar e sair do Brasil normalmente como estrangeiros.

A única ressalva é que uma vez que a criança é registrada no consulado, sua entrada no Brasil somente será autorizada mediante a apresentação do seu passaporte brasileiro. Esse registro também pode ser feito em qualquer momento da vida da criança. Mesmo após os 18 anos ela pode tirar seu passaporte, não existindo mais aquela regra antiga que determinava que filhos de brasileiros nascidos no exterior perderiam automaticamente a cidadania brasileira caso não fossem registrados até os 12 anos de idade.

Resumindo:

- O registro da criança filha de pai ou mãe brasileiro(a) nascida no exterior é facultativo.

- Os consulados fornecem visto de turista à criança nascida no exterior, caso ela não tenha sido registrada, e ela entrará e sairá do Brasil como estrangeira.

- Se a criança foi registrada ela precisará entrar e sair do Brasil com seu passaporte brasileiro.

- Para o fornecimento do passaporte brasileiro é mandatório o registro da criança no consulado.

- Não é exigido que o parent brasileiro assine nenhum documento formalizando seu desinteresse em registrar a criança.

- O registro da criança e a confecção de seu passaporte brasileiro podem ser feitos em qualquer momento da vida dela, não existindo mais limite de idade para que isso seja feito.

- Após os 18 anos, a pessoa pode requerer a cidadania brasileira ela mesma, sem que para isso precise abrir mão da cidadania do país onde ela nasceu. 

AUTORIZAÇÃO DE VIAGEM PARA MENOR DE IDADE ACOMPANHADO DE APENAS UM DOS PAIS 

A autorização de viagem para menor de idade acompanhado de apenas um dos pais só é exigida quando o parent que não está viajando é cidadão brasileiro. Se o pai ou mãe que não vai viajar for estrangeiro(a), a autorização de viagem não é exigida. Por exemplo, eu posso entrar e sair do Brasil com o Oliver sem a autorização do pai dele, mas ele precisa dessa autorização caso viaje para o Brasil com nosso filho sem mim.

VISTO DE TURISTA

Tirar o visto de turista pessoalmente no consulado custa $40, pelo correio custa $160. Para quem não sabe, é preciso mostrar uma cópia da passagem para o Brasil para obter o visto. Meu marido não conseguiu renovar o visto dele porque não se lembrava dessa regra. Felizmente o visto dele vence apenas em setembro e nós vamos para o Brasil em julho. Decidimos que a partir do ano que vem ele e o Oliver entram no Brasil com o passaporte italiano deles. Assim se elimina esse gasto e a burocracia chata do visto.

Essas informações sobre registro de filhos de brasileiros nascidos no exterior, autorização de viagem para menores de idade e visto de turista eu obti no Consulado Brasileiro em Chicago. Se você está planejando viajar para o Brasil com sua criança, não deixe de to double-check essas informações, seja no consulado da sua região, seja na Polícia Federal em qualquer aeroporto internacional brasileiro. Eu obtive as mesmas informações de três fontes oficiais diferentes. Mas como a agente consular me disse, essas regras mudam o tempo todo, então mantenha-se atualizado.

ATENDIMENTO

Só para lembrar que eu sempre fui extremamente bem atendida no Consulado Brasileiro em Chicago. O atendimento para o fornecimento de vistos funciona até às 11h da manhã e embora tenhamos chegado lá com uma hora e meia de atraso, a funcionária mesmo assim concordou em nos atender. Nunca peguei filas, nunca cruzei com brasileiros mal-educados, nem funcionários azedos. Todos muito simpáticos, pacientes e dispostos em ajudar. Recebi meu passaporte em casa 4 dias depois.



Feb 11 2012

Germofóbicos e porcos

Puxa vida, estou escrevendo numa voracidade danada, hein? Mas é que tem muita coisa acontecendo (todas boas, que eu estou feliz da vida) e algumas eu não posso deixar passar, preciso compartilhar com vocês só para rir um pouquinho.

Eu, doida varrida, o ser mais anti-social do mundo, comecei a frequentar um grupo aqui na minha cidade para mulheres com bebês de 0 a 12 meses. Pois hoje tivemos um brunch na casa de uma delas e eu fiquei lá sentada na minha, só de butuca, observando as coisas. Até porque era meu primeiro encontro formal com elas e eu estava morrendo de vergonha de estar ali.

A anfitriã colocou os comes na mesa e cada uma ia se servindo. Fiz meu prato e quando fui procurar os guardanapos achei só papel higiênico. Isso mesmo, havia dois rolos de papel higiênico sobre a mesa fazendo as vezes de guardanapo! Puta-que-o-pariu-a-vovozinha-três-vezes! Eu já acho um absurdo gente que limpa a boca com papel toalha, imagina então com papel higiênico! Mas vamos ver pelo lado positivo, pelo menos os pratos e talheres não eram descartáveis como muitos usam aqui. rs

Aí vejo um bebê de 11 meses correndo de um lado para o outro com o nariz escorrendo enlouquecidamente! E a mãe batendo papo. Tadinho. Foi me dando uma agonia, eu não conseguia parar de olhar para o moleque catarrento. Quando ela finalmente resolveu tomar uma atitude usou a própria camiseta do menino para limpar o nariz dele. Ahhhhhhhhhhh, me-mata-enforcada-agora! O mais louco é que ela limpava cuidadosamente com wet wipes todos os brinquedos que ele segurava. Germofóbica e porca!

E a bebê de 6 meses que babava baldes, de pingar na roupa, e a mãe não limpava? Eu juro que fiquei tentada a usar uma das fraldinhas do Oliver para limpar a boca da garotinha enquanto a mãe dela não estivesse olhando. Porque eu não aguento ver criança suja. Acho um absurdo. Uma coisa é deixar a criança se sujar de tinta, barro, areia. Depois você pega e dá um bom banho. Outra coisa, muito diferente, é ficar indiferente a uma boca suja de comida, um cabelo desgrenhado, um nariz escorrendo catarro e uma roupa cheia de baba.

Ao final do brunch fui ajudar a anfitriã a limpar a cozinha e qual não foi minha surpresa quando a vi “guardando” os restos dos espetinhos de frutas que a gente deixou pela metade. Pronto. Acabou comigo de vez! Olhei pra ela e pensei: “Mas que porra é essa, sua lôca?” hahahaha

Gente, elas são legais, os bebês são uma fofura, só é todo mundo muito porquinho. :)



Feb 10 2012

Evanston

Aproveitamos a viagem a Chicago para visitar Evanston, college town que abriga a Northwestern University, onde meu marido fez faculdade. Ano passado eu conheci a University of Illinois, em Champaign-Urbana, onde ele fez mestrado e doutorado. Ele ficou todo empolgado me contando histórias daquele tempo e me mostrando as coisas: o dormitório, a biblioteca, o café que costumava frequentar, o laboratório…

É interessante como para eles aqui o ato de ir para a universidade tem um significado bem mais amplo do que para os brasileiros. Sair de casa e ir para a faculdade é um evento em si, um ritual de passagem da adolescência à vida adulta. Ali eles estudam, fazem amigos, namoram, experimentam e se permitem enlouquecer. Ou, no caso de nerds como meu marido, não. hehehe. Depois saem, arrumam um emprego e ficam “sérios”.

Dormitório

Biblioteca

Eu não me lembro de nenhuma das universidades que eu frequentei ter tido toda essa importância na minha vida além do fato óbvio de ter me dado um diploma. Na época em que eu estudava Crítica Literária até participei de um grupo que se encontrava semanalmente para saraus de literatura, mas era uma tal disputa de egos para ver quem era mais erudito e literato que encheu o raio do meu saco e eu caí fora.

Lake Michigan

Eu adoro college towns, tanto é que moro em uma, só não gosto dos estudantes. Pelo menos aqui em Ann Arbor eles são muito baderneiros, barulhentos, bebem até cair, estão sempre com cara de sujos e podem ser vistos nos cafés da cidade com seus laptops e copões de café. Adoro quando chegam as férias e eles desaparecem. rs

É uma tradição pichar essa pedra

Gostei muito de Evanston, é uma cidade bem bonitinha. Mas Ann Arbor é mais legal. :)



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