Feb 10 2012

Evanston

Aproveitamos a viagem a Chicago para visitar Evanston, college town que abriga a Northwestern University, onde meu marido fez faculdade. Ano passado eu conheci a University of Illinois, em Champaign-Urbana, onde ele fez mestrado e doutorado. Ele ficou todo empolgado me contando histórias daquele tempo e me mostrando as coisas: o dormitório, a biblioteca, o café que costumava frequentar, o laboratório…

É interessante como para eles aqui o ato de ir para a universidade tem um significado bem mais amplo do que para os brasileiros. Sair de casa e ir para a faculdade é um evento em si, um ritual de passagem da adolescência à vida adulta. Ali eles estudam, fazem amigos, namoram, experimentam e se permitem enlouquecer. Ou, no caso de nerds como meu marido, não. hehehe. Depois saem, arrumam um emprego e ficam “sérios”.

Dormitório

Biblioteca

Eu não me lembro de nenhuma das universidades que eu frequentei ter tido toda essa importância na minha vida além do fato óbvio de ter me dado um diploma. Na época em que eu estudava Crítica Literária até participei de um grupo que se encontrava semanalmente para saraus de literatura, mas era uma tal disputa de egos para ver quem era mais erudito e literato que encheu o raio do meu saco e eu caí fora.

Lake Michigan

Eu adoro college towns, tanto é que moro em uma, só não gosto dos estudantes. Pelo menos aqui em Ann Arbor eles são muito baderneiros, barulhentos, bebem até cair, estão sempre com cara de sujos e podem ser vistos nos cafés da cidade com seus laptops e copões de café. Adoro quando chegam as férias e eles desaparecem. rs

É uma tradição pichar essa pedra

Gostei muito de Evanston, é uma cidade bem bonitinha. Mas Ann Arbor é mais legal. :)



Feb 9 2012

Churrascaria brasileira em Chicago

Semana passada fomos a Chicago e aproveitamos para jantar na Texas de Brazil Churrascaria (que nome mais idiota), uma churrascaria brasileira localizada no downtown. Até hoje fui a apenas duas churrascarias brasileiras aqui nos EUA porque não compartilho da nóia de muitos brasileiros de querer comer apenas comida brasileira. Sabe aquele brasileiro que só fica enchendo o raio do saco por não poder comer arroz com feijão todo dia? Sem paciência pra gente assim. Experimenta outras comidas, carai, vai que você gosta?

Essa churrascaria em Chicago tem uma decoração grandiloquente, com muito vermelho e flores de plástico, o que achei meio brega. O serviço é simpático, educado, mas lento de dar raiva e um pouco confuso. Pedimos água tônica e nos trouxeram água com gás. A carne é muito boa, apesar da pouca variedade e de ser meio salgada. E se você (como nós) não gosta de frango está fodido porque é só isso que trazem. Vai ver porque é barato. Mas é só pedir carne vermelha que eles trazem. Só tem de esperar uma eternidade.

O bufe de saladas é variado, tem tanta opção, tanta coisa gostosa, que você corre o risco de se empanturrar e acabar sem espaço no estômago para a carne. Mas é naquele esquema adaptado de churrascaria brasileira no exterior, né? Pimenta mexicana? Purê de batatas? Farinha pura chamada de farofa? Oi! O pão de queijo é delicioso, pena que quando acaba não trazem mais. Uauauau

No fim meu pai que está certo quando diz que churrasco bom é aquele que você faz em casa. Churrascarias (mesmo as do Brasil) sofrem de complexo de megalomania e pecam pela falta de autenticidade. Perdem muito tempo embelezando o lugar e frescurando a comida. Acho super estranha essa mania de querer fazer do churrasco uma comida chique. É bom justamente porque não é. Embora comamos muito fora, sou fresca pra caramba e não como em qualquer lugar, nem qualquer comida. Mas quando se trata de churrasco, se ficar com muito nhen nhen nhen você não vai comer the real thing.

Desta vez gostei mais de Chicago

Vai lá e depois me conta o que você achou.



Jan 22 2012

Milwaukee

Milwaukee não está com nada. Não gostei. É aquele tipo de lugar para onde só volto se for por obrigação, porque a lazer, uma vez já deu. A cidade é grande, tem quase 600 mil habitantes, muitos de origem alemã, e fica a mais ou menos 1 hora e meia de distância de Madison.

É conhecida como a terra do queijo. Na beira da estrada é possível comprar queijos de diversos tipos, preços, origens e qualidade, sendo alguns vendidos direto do produtor. Preferimos comprar os nossos no Cheese Mart, in downtown, um mercado que conta com uma enorme seleção de queijos locais.

Além de queijos, o Cheese Mart também vende outros tipos de frios, como salames tão deliciosos quanto caríssimos. Sentamos para degustar uns petiscos ótimos e para acompanhar meu marido pediu uma Leinenkugel, famosa cerveja local e a marca preferida dele.

Milwaukee é também conhecida por suas cervejarias, sendo MillerCoors a mais famosa delas. Já foi a maior produtora de cervejas do mundo, daí ter recebido o título de beer town. Dá para beber muita cerveja nos diversos pubs e tavernas espalhados pela cidade.

Uma vez por lá, não deixe de visitar o Milwaukee Art Museum, o Discovery World, museu dedicado à ciência, e o Harley-Davidson Museum, que expõe permanentemente centenas de motos e artefatos da famosa marca de motos distribuídos em dois pisos e organizados cronologicamente.

Modelo de 1906

O museu também conta com uma loja de souvenirs, um café, um restaurante e um espaço dedicado a eventos. Eu particularmente não vejo graça nenhuma em motos e achei a visita ao museu um porre.

Após fotografar a segunda moto já estava completamente entediada (rs). Mas se você é fã seja de motos em geral ou apenas da marca, esse é um passeio que vale a pena.

Não sei explicar do que exatamente não gostei em Milwaukee. Mas tentei me imaginar vivendo lá e arrepiei toda (rs). Tem lugar que simplesmente não bate, entendem como é? Senti isso em Chicago, New Orleans e agora em Milwaukee.

Meus meninos, tão entediados quanto eu

Anyway, voltamos para casa com uma sacola cheia de queijos e salames. Um queijo apodreceu no caminho e empesteou nosso carro com um cheiro insuportável de podre. Uauauauau



Jan 21 2012

Madison

Semana passada levamos o Oliver para sua primeira viagem de carro. Fomos até Madison e Milwaukee, no estado do Wisconsin, com direito a uma parada estratégica em Chicago.

Ele se comportou muito bem durante toda a viagem, tanto na ida quanto na volta. Não fez pirraça, não estranhou ninguém. Mas ele nunca estranha ninguém. Vai no colo de qualquer pessoa que sorri para ele.

Madison é a capital e segunda maior cidade do estado do Wisconsin. A cidade abriga a University of Wisconsin-Madison, possui uma população de mais de 200 mil habitantes, ocupa o segundo lugar no ranking nacional das cidades com maior grau de escolaridade e é considerada um dos melhores lugares para se viver nos EUA.

É fácil entender por quê. Como quase toda college town neste país, Madison é liberal, charmosa e repleta de gente jovem. Um verdadeiro oásis em um estado que (em geral) não achei nem muito bonito nem muito interessante. Lembra um pouco Ann Arbor, onde moro, também uma college town, porém com metade da população.

Destaque para o Wisconsin State Capitol, que fica localizado em uma praça rodeada por cafés, restaurantes, lojinhas e museus, e pode ser visto por diferentes ângulos e pontos da cidade. Arquitetura belíssima.

The Capitol

O bonito Lake Mendota, que nesta época do ano é muito usado para a prática de esportes de inverno, estava completamente congelado, mas mesmo assim conseguimos fazer umas fotos bacanas de diversos pontos da cidade.

Cafés e barzinhos com música ao vivo são um dos must go places em Madison, bem como os museus de arte, o Olbrich Botanical Gardens, o James Madison Park, no Lake Mendota, onde fica localizada a Gates of Heaven Synagogue (uma das mais antigas sinagogas dos EUA), além, é claro, do campus da University of Wisconsin-Madison.

Como sempre fazemos em nossas viagens, caminhamos a esmo e fotografamos a meninada “esquiando” nas ladeiras cobertas de neve.

Madison é uma gracinha de cidade. O tipo de lugar que eu curto. :)



Jan 12 2012

Jogando sinuca com o papai

Meu marido fica frustrado que eu não demonstro interesse em jogar sinuca com ele, mas ele sabe que eu detesto qualquer tipo de jogo: vídeo game, cartas, dominó, dardos, bolinha de gude… Odeio qualquer tipo de competição, mesmo se for por mera diversão.

Nós temos uma mesa de sinuca em casa, mas que só é utilizada quando os amigos vêm visitar porque ele não se anima de jogar sozinho. Como ele mesmo diz, quando joga só, ele sempre ganha (rs). A esperança dele agora é o Oliver, a quem ele ontem já tratou de apresentar os principais elementos de um bom jogo de sinuca. Quaisquer que sejam eles. rs

O travesseirinho foi presente da Aline e do marido, que vieram aqui ontem visitar o Oliver. O Oliver amou os dois, só ficou dando risada no colo deles.

Amanhã iniciamos nosso roteiro de viagens de 2012. Começamos por Madison e Milwaukee, no Wisconsin. Será a primeira road trip do Oliver e eu estava sentindo falta de viajar. We’re excited! 



Sep 7 2011

Babymoon em Mackinac Island

Nossa babymoon aconteceu em agosto, mas só agora consegui encontrar um tempo para escrever um post sobre isso porque as coisas andam loucas por aqui, estamos só o pó da rabiola.

Mackinac Island é nosso roteiro obrigatório de verão e nada mais natural que escolhêssemos essa maravilhosa ilha ao norte de Michigan para passar nossa babymoon, já que não tínhamos tempo disponível – nem disposição – para viagens que envolvessem avião e longas distâncias a essa altura do campeonato.

De vez em quando recebo e-mails de leitores interessados em obter mais informações sobre Mackinac Island. Aqui e aqui eu descrevo com mais detalhes as maravilhas da ilha e meu encantamento pelo lugar, mas a pergunta mais recorrente nos e-mails é sobre opções de hospedagem por lá.

Hospedar-se em Mackinac Island não é um problema, há opções de hotéis e pousadas para todos os gostos e bolsos, mas se você está indo na alta temporada é melhor garantir sua reserva com alguma antecedência porque esse é um dos roteiros de verão mais concorridos de Michigan. E quanto mais cedo você fizer sua reserva maiores as chances de conseguir um bom desconto.

O custo de hospedagem varia. Ali nada é realmente barato, mas é óbvio que uma pousada vai custar bem menos do que um resort. Se o seu plano é se hospedar em grande estilo, a opção não pode ser outra senão o super luxuoso Grand Hotel, famoso por servir de cenário para o filme Em Algum Lugar do Passado e por ainda manter a tradição e qualidade impecáveis nos seus serviços após mais de um século de funcionamento.

Hospedar-se ali por apenas duas noites vai te custar thousands (literalmente) no verão. Tente ir no final de maio ou início de junho e esse valor irá cair bastante porque eles oferecem promoções para essa época do ano. No ano passado pegamos um bom desconto porque fomos em junho. Já este ano nós nos ferramos porque fomos em agosto e deixamos para fazer as reservas no último minuto.

Vale a pena pagar tanto para se hospedar num lugar desses? Bom, depende do que você está buscando. Nós ficamos lá no ano passado porque eu queria vivenciar a experiência de me hospedar nesse hotel que carrega tanta tradição e história. Este ano ficamos de novo porque achamos que nossa babymoon merecia esse mimo e o hotel oferece um monte de mordomias e facilidades que ultrapassam a mera estadia. Hospedar-se no Grand Hotel é uma experiência absolutamente incrível, mas para mim já deu.

Você precisa gastar uma fortuna para curtir férias legais em Mackinac Island? Claro que não. As pousadas, por exemplo, são muito charmosas e estão bem localizadas, o Mission Point Resort  é lindo e oferece várias opções bacanas de lazer ao ar livre. Nós nos hospedamos lá em 2009. Agora, se a grana está curta ou você não gosta de gastar muito em hospedagem, a opção mais barata é ficar em um hotel em Mackinaw City e pegar o barco todos os dias para Mackinac Island. Cada trecho dura apenas apenas 20 minutos.

Uma vez em Mackinac Island, aproveite o outdoors e o clima de vida simples do lugar. Carros são proibidos na ilha, então alugue uma bicicleta, um cavalo ou uma charrete para descobrir as muitas belezas locais. Experimente a gastronomia local, como o famoso fudge (uma açucarada tradição regional), dê um mergulho no Lake Huron se a água não estiver muito fria (sempre está), caminhe pelas ruazinhas bucólicas, tire fotos em frente às históricas casas de estilo vitoriano e garimpe preciosidades nas diversas lojas de souvenirs e antiguidades locais.

Para o ano que vem estamos cogitando alugar uma propriedade na ilha, o que nos dará mais flexibilidade (ainda mais com um bebê a tiracolo) e certamente ficará mais barato do que um hotel. Será a primeira vez do nosso pequeno Oliver por lá e tenho certeza de que ele irá amar cada minuto.

E ninguém acredita quando conto mas aquela água toda que vocês estão vendo nas fotos aqui é um lago, não é oceano não, viu? Eu detesto mar/praia/oceano, mas adoro uma água doce.



Jun 3 2011

Contagem regressiva

Viajamos sábado para o Brasil. Chegamos lá no dia do aniversário da minha mãe. Vai ser só alegria com a família reunida e aquela bóia caprichada de domingo esperando por nós. hehehe. Minha lista de gostosuras para esta viagem inclui: goiaba (um balde, tá?), maracujá, jabuticaba, melancia, churrasco, feijão tropeiro, taioba, jiló, abóbora com quiabo, maxixe fofo e o pão caseiro da minha mãe. A lista do marido é bem menos saudável que a minha: pastel, Guaraná, banana da terra frita, queijo minas, bisteca de porco da minha mãe, pavê da minha irmã. Ele acha pavê um luxo de sobremesa. rs

Marido fica só alguns dias em Vitória porque tem de trabalhar e cuidar da finalização da reforma da casa. Eu fico seis semanas por lá, mas volto no meio de julho cheia de coisas para fazer: mobiliar/decorar os novos cômodos, contratar um paisagista para o jardim, mandar lavar as janelas e o carpete da casa inteira e fazer um open house para os amigos. Em agosto iremos finalmente cuidar do quarto e do enxoval do baby. Deixamos para agosto também nossa viagem de babymoon, que será bem romântica no nosso canto preferido nos EUA. Depois disso só quero me aconchegar no ninho.

Ainda não comecei a fazer as malas, mas esta sou eu, só faço as malas no derradeiro minuto mesmo. Como somos viajantes experientes sempre sabemos com antecedência o que vamos levar em nossas viagens, então para que a pressa?



Mar 22 2011

Amish Country, Ohio

Final de semana passado viajamos para o Amish Country, no estado de Ohio. Concentramos nossa visita nas vilas de Millersburg e Berlin, conhecidas pelo seu comércio e culinária de tradição amish. É uma região muito bonita, com um sem fim de fazendas, pastos, praças, igrejas e tudo aquilo que a gente está acostumado a ver em cidades (bem) pequenas.

Falando assim parece tedioso, mas esse roteiro é perfeito para um fim de semana de descanso, boa comida e passeios sem destino. Acho que esse é o meu tipo preferido de viagem. Para se hospedar na região, inúmeras opções de pousadas e hotéis. Como conforto se tornou ainda mais fundamental para mim nos últimos meses, eu não quis arriscar o rústico de uma pousada no meio do mato e em vez disso escolhi um hotel moderno no centro de Berlin, o ótimo Berlin Grand Hotel.

A história da religião amish começou na Suíça, no século XVII, de uma divisão entre seguidores insatisfeitos da Igreja Menonita em um movimento separatista liderado pelo líder suíço Jakob Ammann. Os amish são mais conhecidos por suas roupas escuras, seus hábitos conservadores e seu estilo de vida simples que recusa o uso de tecnologia. No século XVIII, como resultado da perseguição religiosa na europa, amish e menonitas começaram a emigrar para a região da Pensilvânia, nos EUA, espalhando-se depois por outros estados americanos, sendo Ohio atualmente o estado que reúne a maior população amish no mundo.

Amish buggy in Berlin

Os amish são altamente religiosos e reservados em sua fé. Eles não acreditam em evangelização e o batismo tem de ser um ato voluntário, portanto somente feito por adultos. Adolescentes amish são incentivados a experimentar a vida fora da comunidade antes de se decidirem definitivamente pelo batismo (ou não). Nesse período, eles vêem televisão, passeiam de carro, usam telefones celulares e alguns até fumam e bebem. A maioria no entanto decide retornar a sua comunidade e ser batizada. Os poucos que optam por partir não são excomungados. Entretanto, uma vez batizados, os amish que decidem deixar a comunidade são automaticamente excomungados, mas podem ser aceitos de volta se demonstrarem arrependimento e após passarem por um período de probation.

Downtown Millersburg

Entre aqueles que não retornam, a maioria permanece em contato com a família, mesmo havendo uma orientação dos líderes contrária a isso. Esse comportamento é tolerado porque família é um dos aspectos mais importantes da religião amish. Na prática, ser excomungado significa que outros amish não podem comer na mesma mesa nem fazer negócios com você. A continuidade ou não da relação entre um excomungado e sua família vai depender portanto muito mais do nível de conservadorismo dessa família do que da religião propriamente dita. E embora cada membro amish esteja obrigado a seguir um conjunto de regras religiosas chamado Ordnung, essas regras variam de acordo com o grau de conservadorismo ou progressividade de cada grupo. Isso significa que aquilo que é permitido em um grupo pode ser totalmente proibido em outro, como o uso de energia elétrica, bicicletas e telefone.

Família amish voltando para casa

Amish são extremamente amigáveis. Ao cruzar com um deles você provavelmente será cumprimentado, mas eles não gostam de ser fotografados nem de ter suas propriedades invadidas por turistas curiosos. Portanto, se a situação um dia surgir, seja respeitoso, ninguém gosta de ser tratado como um animal exótico em exposição, certo? As crianças das comunidades mais liberais são autorizadas a interagir com os filhos dos vizinhos não-amish, principalmente pela oportunidade de aprenderem o inglês, uma vez que a língua falada em casa é o alemão ou um dialeto do alemão.

Comunidade amish

Os amish não acreditam em uma educação formal para além da oitava série e as comunidades mantêm suas próprias escolas, onde são ensinados a matemática, o alemão e a doutrina e história amish. O temor em se estender a educação aos jovens é a crença de que o conhecimento poderia levá-los a desenvolver valores que colocariam em risco a observância das tradições, da religião e do estilo de vida simples amish. Talvez por isso a vontade de continuar os estudos seja uma das principais razões que levam jovens a abandonar suas comunidades. Sabe-se também que os amish não aceitam o casamento entre um deles e um não-amish, apesar de filmes e relatos alegando o contrário. Eles são pacifistas e não acreditam na violência como forma de defesa.

Amish farm

A maioria recusa qualquer tipo de ajuda governamental e nem sequer possui Social Security Number. Os poucos que aceitam pertencem aos grupos mais liberais e o fazem por problemas sérios de saúde. Entre os amish há uma alta incidência de certas doenças genéticas pelo fato de os relacionamentos acontecerem entre um grupo extremamente pequeno de pessoas. Cerimônias de casamento são anunciadas com apenas duas semanas de antecedência, já que a discrição é outro valor importante para os amish. Muita comida para celebrar a data, mas nada de flores, decoração ou fotos. A festa geralmente é realizada na casa dos pais da noiva para que a noiva ajude na limpeza da casa na manhã seguinte.

Domingo de frio e muito sol

É muito interessante fazer esse tipo de viagem e entrar em contato com uma cultura e vivência que são em tudo completamente diferentes das nossas. É bom também para aprendermos que nosso estilo de vida não funciona necessariamente para todo mundo, apesar do que nos foi ensinado, quase como se a única forma de existência possível fosse a nossa, o que é um pensamento incrivelmente arrogante. Cada vez que eu me pegava pensando em quão quentes aquelas roupas deviam ser, em como eles fazem para tomar banho no frio, em como as crianças conseguem crescer sem televisão e os adultos sem carro nem telefone, naquela vida totalmente isolada, enfim, eu concluía que, ao fim e ao cabo, a única vida que realmente vale a pena ser vivida é aquela que nós escolhemos viver. Então como julgar a escolha dos outros?

Rolando de rir não-sei-do-quê

Quer ver como os amish se parecem e se vestem? Então clica aqui, aqui e aqui. Embora a gente tenha cruzado com vários deles durante nossa viagem, eu não quis fotografá-los pelas razões apresentadas acima.



Feb 15 2011

St. Louis, Missouri

Final de semana passado fomos para St. Louis, no Missouri, para uma celebração antecipada do Valentine’s Day. Nenhum dos dois estava muito entusiasmado com a viagem. Ele porque já esteve algumas vezes em St. Louis (mas onde ele já não esteve?) e não viu muita graça. Eu porque ando muito cansada. De fato, St. Louis não é nem a mais excitante nem a mais romântica cidade do mundo, mas para um fim de semana espremido entre duas agendas cheias funcionou muito bem.

O centro é o melhor lugar para se hospedar em St. Louis porque é onde ficam os principais pontos turísticos da cidade. Alugamos um carro mesmo assim porque queríamos passear por outras partes da cidade. Nossa primeira parada no sábado foi no City Garden, um parque público modernoso que convida os visitantes a interagirem com esculturas e obras de arte de design arrojado que decoram e dão personalidade ao lugar. Não é o meu tipo de coisa, mas a criançada curte muito.

Fizemos uma pausa para almoçar no simpático Terrace View, localizado ali mesmo no City Garden. Fui de espaguete com almôndegas, marido foi de mini pizza de rúcula e batatas fritas. Comida fresca, bem feitinha e muito gostosa. Preços camaradas.

De lá fomos visitar o Gateway Arch Riverfront, principal ponto turístico de St. Louis, que oferece inúmeras coisas interessantes para se ver e fazer, por isso é bom reservar algumas horas para explorar todas as possibilidades do lugar, que incluem (entre outras coisas) uma visita ao topo do arch e um passeio de barco pelo Mississippi River quando a temporada está aberta.

No fim da tarde voltamos para o hotel para um cochilo e saímos novamente à noite para um jantar especial de celebração do Valentine’s Day e do aniversário do marido. Fiz reservas no Tony’s, considerado o restaurante mais refinado de St. Louis. Embora eu não seja uma pessoa que gosta de coisas chiques, admito que tenho um fraco por restaurantes finos. Nem é tanto pela comida, é mais pela experiência em si. Adoro um protocolo, uma regra de etiqueta, uma frescurite.

Fonte: CBS St. Louis

Achamos a comida maravilhosa, tudo no ponto certo, nada sobrando, nada faltando. A carta de vinhos é uma coisa de louco. Mas o que impressiona mesmo é o ambiente e o serviço impecáveis. Os talheres são de prata e os copos de cristal. Homens têm de vestir terno. Não tem fotos dos pratos porque fiquei com vergonha de fotografar lá dentro. É caro? É, mas foi menos caro do que pensamos que seria. Como tudo o mais na vida, o conceito de caro e barato vai depender da sua capacidade financeira e disposição em gastar em determinada coisa. Eu não sofro de dor na consciência por gastar com comida.

 

Fonte: Mariani's Virtual Gourmet

Domingo fez um dia lindo, com muito sol e temperatura em torno dos 15 graus Celsius, o que foi um convite a um passeio ao ar livre. Fomos ver o Mississippi River de perto, circulamos pelo Soulard Neighborhood, o mais antigo bairro de St. Louis, e paramos para tirar fotos da belíssima Cathedral Basilica of St. Louis. Não tiramos fotos do lado de dentro porque estava rolando uma missa na hora e não quisemos ser desrespeitosos.

O ponto alto do domingo foi nosso passeio ao Forest Park, que tem o dobro do tamanho do Central Park, em New York, e é o mais antigo parque de St. Louis. O lugar estava lotado de pessoas que aproveitaram a temperatura elevada para se exercitar e passear com a família. A única coisa chata é que as calçadas estavam cheias de bosta de cachorro, que os donos por lá parecem não gostar de catar. Era tanta bosta que a gente tinha de andar olhando para o chão. Fora esse detalhe nojento achei o parque bem gostoso.

Passamos o resto da tarde circulando por outros bairros de St. Louis e paramos rapidamente para comer no caminho para o aeroporto, onde pegamos nosso avião de volta para Michigan. Eu curti a viagem. St. Louis é enorme, então não dá para explorar todas as possibilidades que a cidade oferece em apenas um fim de semana, mas nós nem queríamos. Foi mesmo um fim de semana para relaxar e descansar, sem roteiros rígidos, nem grandes obrigações. Por isso valeu a pena.



Jan 5 2011

Mississippi

Eu amei o Mississippi! O objetivo da viagem era New Orleans, na Louisiana, mas eu acabei curtindo mais a viagem ao Mississippi. Tempos atrás alguém me disse que o Mississippi é o estado mais pobre dos EUA e eu imaginava um lugar super feio. Não sei se isso é verdade porque não fui pesquisar, mas apesar de aqui e ali se verem guetos e pontos de muita pobreza overall achei a Louisiana bem pior.

Cracolândia em Jackson

O country side do Mississippi é lindo, as estradas são excelentes e as pessoas são muito simpáticas e prestativas. O sotaque deles é bem carregado e me fez lembrar os diversos filmes americanos que já vi cujas histórias se passam naquela região. Ficamos perdidos várias vezes no caminho para o hotel, mas sempre havia alguém prestativo para nos ajudar a encontrar nosso caminho.

Ficamos hospedados em um hotel perto de downtown Jackson e depois saímos para jantar por ali mesmo porque estávamos famintos, mas não sei se por causa dos holidays não achamos um único restaurante aberto. Nos dias seguintes não foi diferente, até as lojas do centro estavam fechadas.

Parecia uma cidade fantasma, mas uma cidade fantasma muito charmosa, limpa e bem preservada. Gostei muito de Jackson e aproveitamos que a cidade estava vazia para bater perna e tirar fotos.

Fomos então jantar em Flowood, uma cidade ali pertinho que segundo nos disseram é onde estão localizados os melhores restaurantes da região. Melhores eu não sei, mas certamente é onde estão reunidos o maior número deles. Era até difícil escolher. Acabamos comendo num desses típicos restaurantes sulinos de decoração country e ambiente hospitaleiro.

Meu marido foi de gumbo com camarão e pediu os famosos tomates verdes fritos de aperitivo. Não tem mistério na receita, é cortar uma fatia super grossa de tomate verde, empanar e fritar em um balde de óleo. O tomate chupa o óleo todo, nossa, fica encharcado.

Eu comi carne grelhada com pure de batata e vagem, que estava muito oleosa e eu não comi. Mas a carne estava muito boa. Marido guloso ainda encarou sorvete de baunilha com pêssego de sobremesa.

Em Flowood também passeamos no shopping local e jantamos lá nas noites seguintes já que em Jackson os restaurantes permaneciam fechados. Na última noite comemos uma pizza bem gostosinha no Cici’s Pizza. Pedimos pão de alho também mas não conseguimos comer porque estava super oleoso. Honestamente, não sei como aquelas pessoas não ficam doentes comendo tanta gordura. Vai ver ficam.

No dia seguinte fomos visitar duas plantation homes em Natchez, uma linda cidadezinha localizada às margens do Mississippi River, na fronteira com o estado da Louisiana.

As plantation homes são mansões históricas que foram preservadas ao longo dos anos e hoje estão abertas a visitação do público. Algumas delas funcionam também como hotel e podem ser alugadas para a realização de eventos, como jantares de luxo e casamentos.

Adorei ver de pertinho o famoso Rio Mississippi do qual tanto ouvi falar nos livros e nos filmes. É lindo!

No fim da tarde voltamos para a Louisiana e de lá pegamos um avião para Michigan. Amei minha primeira viagem ao sul dos EUA! Georgia e South Carolina que nos aguarde em abril!



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