Indo para o Brasil

Viajo hoje à noite para o Brasil. Depois de 1 ano e 4 meses de espera por causa da novela do Green Card e da cirurgia ortognática irei finalmente rever minha mãe, de quem estou enlouquecida de saudade. Estou indo lá recarregar minhas energias, cuidar um pouco de mim e curtir minha família o máximo que eu puder. Com exceção de comer muita goiaba não tenho outros grandes planos ou metas para esta viagem. Quero não fazer nada. E isso já é muita coisa. Obrigada a todos pelos recadinhos carinhosos. Responderei todos os e-mails quando tiver um tempinho.  

facebooktwittergoogle_plusredditpinterest

Tratamento sem resultado

Lá se vão quase três meses de tratamento psiquiátrico e eu ainda não vi resultado positivo. Na verdade, minhas recaídas se tornaram mais frequentes e mais sérias. A última foi tão feia que o psiquiatra queria me internar. Não fui internada, mas sinto que tem algo de errado. Faço terapia duas vezes por semana e mesmo assim estou cada vez mais instável. Não tem lógica. Tomo diariamente 600mg de Lítio (estabilizador do humor) e 0.50mg de Risperidona (antipsicótico), acontece que eu NUNCA fiquei estável com menos de 1.350mg de Lítio/dia. 

Pedi várias vezes ao psiquiatra para aumentar a dose do Lítio, mas ele se recusa e insiste que para meu problema a terapia é o tratamento mais eficaz. A Risperidona ele só concordou em aumentar depois de eu ter despirocado feio dia desses. Posso não ser psiquiatra, mas conheço meu histórico de crises melhor do que ele e acredito que as doses que tomo hoje estão sim muito baixas. Só que ele não concorda comigo e eu não posso me automedicar. 

Não sei o que fazer. Tenho lidado com essa instabilidade a vida inteira. Tento levar uma vida normal e plena (apesar das recaídas) desde o fim da minha adolescência, mas é muito difícil me manter estável e ter o que os outros têm, fazer o que os outros fazem. Para a maioria das outras pessoas, formar uma família, ter uma carreira, comprar uma casa e fazer uma viagem representam transições normais da vida. Para alguém como eu, tais transições, ainda que desejadas, são extremamente estressantes e têm o potencial de provocar tormentas emocionais violentíssimas em mim. 

Estou cansada e desmotivada. Parece que estou girando em círculos. É um eterno construir e desconstruir, ganhar e perder, começar e recomeçar. Estou sempre recomeçando, mas é como se nunca saísse do lugar. Cansa. Estou me desesperando. Perdi a coragem, estou morta de medo. A última recaída me deixou tão devastada que ainda estou tentando juntar os cacos e analisar o que aconteceu. Mas agora é só essa sensação horrível de estar esvaziada e desconectada de mim mesma.

facebooktwittergoogle_plusredditpinterest

Without Conscience

A resenha de hoje no site O que elas estão lendo!? traz uma sugestão minha do livro Without Conscience: the disturbing world of the psychopaths among us, do psicólogo canadense Dr. Robert Hare, um dos maiores especialistas do mundo em psicopatia. No livro, Hare parte de seu trabalho com detentos em uma prisão canadense para entender o funcionamento da mente dos psicopatas e a razão de eles não sentirem remorso nem aprenderem com a punição. O psicólogo e criador de uma escala usada mundialmente para medir os diversos graus de psicopatia descreve em seu livro as principais características, causas e sintomas da psicopatia, ao mesmo tempo que lança mão de exemplos reais e casos notórios para diferenciar os diversos tipos de psicopatas, além dos impactos provocados por suas ações em nossa sociedade. Vale a leitura!

*Não sei se esse livro já foi traduzido para o português.
facebooktwittergoogle_plusredditpinterest

Marido prendado

A maioria das mulheres sonha com um marido prendado, daqueles que sabem fazer serviço de encanador, pedreiro, eletricista e mecânico. Nunca fui tão ambiciosa, eu só queria mesmo um marido que cozinhasse igual meu pai, porque cresci achando que marido que cozinha fazia parte do pacote que vinha com o casamento. Oh, ilusão! Quando solteiro, meu marido nunca tinha cortado grama, removido neve, cozinhado, pintado uma parede ou feito um único conserto na casa. Quando mudei para cá criamos o hábito de pagar por esses serviços porque não sabíamos fazer nada, mas agora o marido resolveu ficar mais handy e tem aprendido um monte de coisas novas, a maioria delas sozinho, como instalar cortinas e lustres, pintar paredes e fazer pequenos consertos. Sua mais recente empreitada foi pintar o lustre da nossa sala de jantar e as luminárias da sala de visitas. Ficaram lindos. Estou impressionada com meu marido, de verdade, porque nunca imaginei que ele um ida iria tomar a iniciativa pra esse tipo de coisa. Nós continuamos sendo um daqueles casais não prendados em nada, o consolo é que temos economizado desde que decidimos aprender a fazer algumas coisas nós mesmos. Um avanço.
facebooktwittergoogle_plusredditpinterest

Necessidades fisiológicas

Nossa, ando numa mijação danada por causa do Lítio. Estou sempre com sede, então bebo barris de água e por isso vou ao banheiro o tempo todo, inclusive no meio da noite. Passo um sufoco danado porque muitas vezes não dá pra segurar a barra, é aquela vontade insuportável que me faz sair correndo pro banheiro mais próximo senão mijo nas calças. hahaha

E por falar em mijar, esclareço aos espantados com minha linguagem escrachada que é assim mesmo que falo. Eu não faço xixi, eu mijo. Sempre achei engraçado adultos falando “xixi” e “cocô”. Acho ainda mais hilário aquelas pessoas que querendo ser educadas falam “urinar” e “defecar”. É mais elegante, eu sei, mas não consigo, comigo vai no “cagar” e “mijar” mesmo. rs

Depois que entrei na Petrobras é que escancarei de verdade porque eu trabalhava em um canteiro de obras no meio do mato, vestida de uniforme e botina o dia todo, e cercada de homens engraçadíssimos que não tinham papas na língua na hora de descrever suas funções fisiológicas. Foi lá que ouvi de um colega palhaço que “fazer cocô é coisa de criança. Adulto caga ou dá uma cagada”. hahaha

E vocês, como falam?

facebooktwittergoogle_plusredditpinterest

Encolhi mais uma roupa

Vesti hoje uma calça preta para sair e notei que ela estava muito curta. Como tenho várias calças pretas, entre longas e corsário, fui verificar no closet se eu não havia vestido a calça errada, mas constatei que a calça era aquela mesma, só que de longa ela tinha virado curta. Fiquei muito pau da vida. Comigo mesma. Não sei quantas roupas nossas já encolhi porque não aprendo a usar a secadora do jeito certo. E não é por falta de tentativa. Minha secadora tem um monte de funções diferentes, algumas que eu nunca nem usei, então fui lá, li de cabo a rabo o manual do fabricante, segui instruções, tentei diferentes ciclos de secagem e mesmo assim termino sempre com alguma roupa encolhida. Meu marido, que por ser gigante já tem dificuldade de encontrar calças no cumprimento certo para ele, perdeu pelo menos quatro calças por minha causa. Digo “perdeu” porque eu o fiz doar todas elas, uma vez que homem em calça-pegando-frango-no-estilo-Jeca-Tatu é uma desgraça que eu não admito nesta casa, colegas. E ainda tem os sweaters dele, que agora são meus porque viraram top no coitado. Onde será que estou errando?
facebooktwittergoogle_plusredditpinterest

Dois meses de cirurgia ortognática

Hoje fui ao cirurgião para minha consulta mensal e ele disse que minha recuperação vai de vento em poupa. Nada de muito novo aconteceu desde a última vez que atualizei vocês das coisas, mas aos poucos vou melhorando e já faço praticamente tudo que fazia antes.

Lado chato:

- Minha cara continua inchada, principalmente a parte inferior do rosto

- Ainda não sinto o lábio inferior nem o queixo. Deixo comida cair na roupa o tempo todo

- Sinto dor quando bocejo ou tento abrir bem a boca

- Continuo proibida de comer coisas duras e crocantes como bife, cenoura, castanhas e macã

Lado legal:

- O inchaço diminuiu bastante e só é perceptível para quem me conhece

- Criei uns macetes para não errar a mira da boca quando como e bebo, assim faço menos sujeira

- Comecei a fazer exercícios faciais para aumentar a abertura da boca

- Posso comer alimentos soft e fui liberada para comer vegetais e frutas, desde que eles não sejam muito duros e sejam cortados em pequenos pedaços (chatice)

- Não preciso mais usar as bandas (elásticos) durante o dia, só para dormir

- Voltei a usar escova de dentes de gente grande

O processo de recuperação é lento, mas eu me mantive positiva desde o princípio porque essa cirurgia foi algo que desejei e esperei muito tempo para fazer. Sou uma paciente muito obediente, não reclamo dos pequenos inconvenientes que a cirurgia me trouxe (para ser justa comigo mesma, nem dos grandes). Nesse tempo todo senti muita vontade de comer muita coisa, principalmente vegetais e frutas, mas levei quase sempre na boa porque sabia que era importante para mim seguir as instruções do médico. Ainda não posso comer absolutamente tudo que quero (ai, minhas goiabas) nem abrir a boca como deveria, mas chego lá.

Esta semana terei minha primeira consulta com o ortodontista desde a cirurgia, quando então terei uma ideia melhor de quanto tempo ainda deverei usar o aparelho ortodôntico. Depois que o inchaço desaparecer de vez e eu tirar o aparelho vou colocar umas fotos no blog para vocês (finalmente) verem o resultado.

facebooktwittergoogle_plusredditpinterest

Casa florida

Comecei a fotografar todos os buquês de flores que ganho para mostrar para minha mãe quando eu for ao Brasil. Ela ama flores tanto quanto eu. Gosto de absolutamente todas, sem preconceito de cor, preço, tipo ou cheiro. E são tantas flores que rolam aqui em casa toda semana que tive de comprar mais vasos pois já não tinha onde colocá-las. Gosto de espalhá-las pela casa. Às vezes misturo vários buquês de diferentes flores em um único vaso, coloco na island da cozinha ou na mesa do hall de entrada e fico lá admirando o resultado, embasbacada com a perfeição da natureza. Que bom que essa perfeição toda custa tão pouco.
facebooktwittergoogle_plusredditpinterest

Frutas brasileiras

Estou doente de vontade de comer goiaba, jabuticaba, mexerica, cajá, melancia e maracujá. A goiaba vermelha “de vez”, a jabuticaba madurinha, a mexerica azeda, o cajá verde com sal, a melancia geladaça e o maracujá de todos os jeitos. E vai com semente e tudo. Passou na minha goela eu mando pra dentro. Sinto muita falta das nossas frutas. Já contei que as frutas daqui têm gosto de papel, por isso fico salivando toda vez que vejo fotos bonitas de frutas na internet. Eu amo frutas mais do que tudo, tanto que costumava trocar meu almoço por elas. Só não me mistura frutas na comida nem em coisas doces que aí não vai rolar. Fruta pra mim tem de ser in natura e tenho especial predileção pelas mais azedas, daquelas que “apertam” nos cantos das oreia, sabem como é? Já avisei lá em casa que quando eu chegar no Brasil vou sentar no sofá com uma bacia cheia de goiabas e vou traçar tudo sozinha, não vou dividir nada com ninguém, nem um teco. hahaha
facebooktwittergoogle_plusredditpinterest

Mania de reclamar

Quando eu era pequena a grana era curta lá em casa e não tínhamos máquina de lavar roupas. Eu morria de dó da minha mãe esfregando calças jeans e toalhas no tanque com sabão em barra. Meu sonho era comprar uma lavadora de roupas para ela. Quando meu pai comprou a lavadora eu passei a ter pena da minha mãe pendurando e tirando roupas do varal e sonhava (ainda sonho) em dar uma secadora para ela. Aqui em casa tenho uma washer e dryer das mais pimponas e ainda assim reclamo toda vez que faço laundry por ter de tirar as roupas da dryer e organizar tudo nos closets. Também reclamo de ter de tirar a louça da lavadora de pratos e por tudo de volta nos armários. Queria que inventassem um jeito automático das louças pularem direto da lavadora para a dishwasher e da dishwasher para os armários. Reclamo de coisas bestas como ter de trocar os lençois e guardar as groceries.

Por que será que a gente reclama tanto? Por que nunca estamos satisfeitos com nada? Reclamamos se não temos essas máquinas que tornam nossas vidas mais práticas, mas quando finalmente as temos, reclamamos das necessidades surgidas a partir delas. Às vezes queremos coisas de que nem precisamos, queremos só porque podemos ter. Quantas coisas inúteis você tem e nem precisa? Que mimados que somos, sempre querendo o que não temos, sempre insatisfeitos com a vida e as coisas. Devíamos reclamar menos e ser mais gratos pelas coisas que vamos conquistando ao longo das nossas vidas.
facebooktwittergoogle_plusredditpinterest