Na minha casinha

Cheguei aos EUA ontem de madrugada, mas em casa mesmo só aportei no final da tarde porque eu vim por Chicago, tive consulta com meu cirurgião em Grand Rapids e depois ainda passamos no supermercado para abastecer a geladeira vazia. Como eu não me canso facilmente, aguentei bem o tranco o dia inteiro, mas na hora do jantar o cansaço bateu tão forte que eu comi com a cara enfiada no prato. Cheguei cheia de coisas para fazer, mas estou contente por estar de volta. Casa de mãe é uma delícia, mas não tem nada igual a casinha da gente. Minhas sete semanas no Brasil foram restauradoras. Curti muito minha mãe e meu sobrinho, só encontrei quem eu quis e passeei nada porque com todo mundo trabalhando e seguindo com sua rotina ficava muito difícil programar algo. 

Muita gente me perguntou se achei algo diferente ou estranho no Brasil após ficar um ano e meio sem ir lá. Achei tudo igual e no segundo dia era como se eu jamais tivesse saído do país e passado tanto tempo fora, da mesma forma que no segundo dia aqui eu já nem lembrava mais do Brasil. Comigo funciona assim, quando estou aqui esqueço de lá, quando estou lá esqueço daqui. Não sinto nostalgia nenhuma.

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Cirurgia de ptose

Entrei na faca de novo. Desta vez para corrigir uma ptose palpebral (pálpebra caída). A ptose palpebral pode tanto ser de origem congênita quanto adquirida e os tratamentos para o problema são vários, entre eles a cirurgia de pálpebra. No meu caso particular a ptose foi provocada por inúmeras infecções que tive nos dois olhos no decorrer da minha infância e adolescência. O problema estagnou na fase adulta mas aí a ptose já havia se instalado, por isso a cirurgia foi a mehor indicação para o meu caso. Embora eu tivesse ptose nos dois olhos, o problema era bem mais acentuado no olho esquerdo, justamente o olho que foi mais afetado pelas infecções. Meu quadro, mesmo assim, era considerado leve. Já nos casos mais graves de ptose palpebral pode ocorrer até o comprometimento da visão. A cirurgia, que é bem rápida e simples, tem o objetivo de elevar a pálpebra permitindo uma maior abertura do olho. A anestesia é local e a alta geralmente acontece no mesmo dia. O pós-oporatório também é bem tranquilo, apesar do inchaço e dos hematomas que incomodam nos primeiros dias. Retirei ontem os pontos da cirurgia e na sexta-feira tenho consulta com o cirurgião para uma reavaliação. É bom saber que agora não parecerei mais caolha nas fotos. rs
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Calor e reencontros

Ainda estou no Brasil e o calorzão por aqui continua insuportável. Não fiz nada de muito significativo até agora porque esse calor maledeto me desanima de tudo. Odeio botar minha cara no sol. Em compensação, tenho passado muito tempo com minha mãe e meu sobrinho. Como umas três goiabas por dia e bebo baldes de suco de maracujá bem azedo. Caminho com minha mãe todas as manhãs, como nos velhos tempos. Reencontrei apenas uma amiga e estou na expectativa de reencontrar outra. Acham pouco? Para mim está ótimo porque elas são as únicas pessoas de fora da minha família que eu realmente queria reencontrar. Março chegando e com ele meu aniversário e os dois anos do meu casamento. Como faço todos os anos, presenteei a mim mesma com jóias. São lindas. Tenho uma lista enorme de e-mails e comentários para responder e tenho tentado fazer isso na medida do possível, daqui mesmo, mas não dá para responder todos no tempo que eu gostaria. Esses deixarei para responder quando eu já estiver de volta aos EUA.

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Boas e más maneiras ao redor do mundo

O site How Stuff Works: Como Tudo Funciona listou 13 exemplos de boas e más maneiras ao redor do mundo que refletem as diferenças culturais entre povos. 

1 – Comeu bem? Então arrote!

Na China, em Taiwan e em boa parte do Extremo Oriente, o arroto é considerado um cumprimento ao chefe de cozinha – e indica que a pessoa comeu bem e apreciou a refeição.

2- Cuidado com os pés.

Na maior parte do Oriente Médio e do Extremo Oriente é considerado um insulto apontar os pés para outra pessoa – especialmente a sola do sapato, que jamais deve ser mostrada. Nunca se devem colocar os pés para cima.

3- Mais do que um pedaço de papel.

Na maioria dos países asiáticos o cartão de visitas é visto como uma extensão da pessoa. Daí que dar pouco valor ao cartão – dobrando-o, escrevendo nele ou guardando-o sem olhá-lo com atenção – equivale a desrespeitar quem o ofereceu.

4- Saindo do aperto.

É meio estranho um aperto de mãos mole – dá a impressão de pouca disposição por parte de quem cumprimenta. Só que em boa parte do Oriente – e em particular nas Filipinas – um aperto de mão mais forte, daqueles de esmagar os ossos, é entendido como uma agressão, equivalente a apertar qualquer outra parte do corpo.

5- Guerra dos sexos.

Judeus ortodoxos não apertam as mãos de mulheres, e muçulmanas fervorosas não apertam as mãos de homens. Para tornar tudo mais complicado, um homem muçulmano aperta as mãos de uma mulher que não seja muçulmana. Mas no geral as pessoas desses dois grupos evitam tocar em pessoas do sexo oposto que não sejam de suas famílias.

6- Em pratos limpos.

Num jantar na China nunca tente limpar o prato para dar mostras de boa educação. Quem oferece o jantar pode ser visto como rude se não se mantiver enchendo seu prato. Para demonstrar o reconhecimento pela generosidade de seu anfitrião, deixe um pouco de comida a cada prato servido.

7- Dá um dinheiro aí…

No Japão e na Coreia as gorjetas são consideradas um insulto, e não um cumprimento. Para japoneses e coreanos tradicionais aceitar gorjeta equivale a mendigar – mas isso já começou a mudar, graças à maior presença de ocidentais com seus costumes.

8- Contando nos dedos.

O sinal de OK, com o indicador e o polegar fazendo um círculo e os outros dedos levantados, é bem aceito nos EUA, mas na Alemanha e na maior parte da América do Sul é visto como uma das ofensas mais graves – mandar o sujeito tomar naquele lugar… Já na Turquia o gesto equivale a chamar alguém de homossexual. No Brasil o OK vem ficando cada vez mais OK, com a adoção do gesto americano, feito só com o dedo médio para cima.

9- Paz e guerra.

No Reino Unido, o V de vitória, usado também como símbolo da paz, vira convite para uma briga se for feito com a palma da mão virada para dentro. É o mesmo que o OK que não é OK, ou o dedo médio mostrado para quem se quer ofender.

10- Mão boba.

Na Grécia é extremamente ofensivo fazer qualquer sinal que mostre as palmas das mãos abertas. Não se deve acenar mostrando a palma da mão, nem levantar a mão aberta para faze alguém parar. Para dar tchau na Grécia é preciso apontar a palma da mão para dentro, como faz a família real…

11- Pés descalços.

No Japão e em outros países da Ásia – e também em alguns da América do Sul – é obrigatório tirar os sapatos ao entrar na casa de alguém. E na Europa é de bom-tom perguntar se é melhor tirar os sapatos. Não há segredo aqui – é só uma questão de limpeza.

12- Chiclé fora da lei.

Muita gente acha feio mascar chiclé. Na França, na Suíça e em Luxemburgo isso é visto como algo vulgar. E Cingapura vai além de muxoxos – lá é ilegal mascar chiclé desde 1992, quando o povo se cansou de ter que raspar da calçada a goma mastigada e cuspida.

13- De canhota.

Na maioria dos países árabes a mão esquerda é considerada suja, o que torna extremamente grosseiro usá-la para cumprimentar alguém – tanto com um aperto de mãos quanto acenando. Também é falta de educação passar comida para alguém usando a mão esquerda. O motivo? No deserto, sem papel higiênico, as pessoas se limpavam com a mão esquerda. Como não havia água para lavá-la depois, a sujeira era removida na areia. Enquanto isso, a mão direita era mantida sempre limpa.

Que outras observações vocês acrescentariam a essa lista?

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Calor e goiaba

Uma semana no Brasil e já me sinto completamente renovada. Está tudo uma delícia. O único senão da viagem até agora é esse maldito calor que está fazendo em Vitória. É sol na cara o dia inteiro, sem trégua. A coisa está tão braba que esperei dois para sair de casa porque estava sentindo muita fraqueza e indisposição. Meus dedos, pés e pernas ficaram super inchados e só penso em fruta, suco e água. O resto está maravilhoso. Estar perto da família é priceless.

O marido, em compensação, não perdeu um segundo dos quatro dias que ficou em terras capixabas: fez um tour pela cidade com meu irmão; foi ao centro da cidade comigo; viu um show de funk na praça; andou de buzão várias vezes; foi a praia duas vezes; brincou com meu sobrinho; comeu açaí na tigela, torresmo, moqueca capixaba (nada a ver com a moqueca baiana) e pirão, maracujá, banana verde frita, pimenta malagueta, frango ensopado, costelinha de porco, maxixe, goiaba, picolé de goiaba, coxinha de frango, bolinha de queijo, pão de queijo, queijo minas, esfirra de carne; tomou suco de goiaba, maracujá e acerola, água H2O e baldes de guaraná (que ele só chama de Guaraná juice). De tudo que experimentou adorou tudo, menos açaí. Também detesto.

Ele foi embora eu continuo por aqui por mais umas semaninhas. Muita gente me perguntou se vou a praia. Gente, acho que eu tinha uns 14 anos quando fui a praia pela última vez. Poucas coisas na vida me irritam mais do que sol e calor, então praia pra mim é o típico programão de índio, não vou mesmo. Esse clima só agrada mesmo a quem gosta de sol e como este não é o meu caso, decidi que Brasil no verão nunca mais.

Ah, já comi muita goiaba, viu, é goiaba todo santo dia, cara.
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Indo para o Brasil

Viajo hoje à noite para o Brasil. Depois de 1 ano e 4 meses de espera por causa da novela do Green Card e da cirurgia ortognática irei finalmente rever minha mãe, de quem estou enlouquecida de saudade. Estou indo lá recarregar minhas energias, cuidar um pouco de mim e curtir minha família o máximo que eu puder. Com exceção de comer muita goiaba não tenho outros grandes planos ou metas para esta viagem. Quero não fazer nada. E isso já é muita coisa. Obrigada a todos pelos recadinhos carinhosos. Responderei todos os e-mails quando tiver um tempinho.  

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Tratamento sem resultado

Lá se vão quase três meses de tratamento psiquiátrico e eu ainda não vi resultado positivo. Na verdade, minhas recaídas se tornaram mais frequentes e mais sérias. A última foi tão feia que o psiquiatra queria me internar. Não fui internada, mas sinto que tem algo de errado. Faço terapia duas vezes por semana e mesmo assim estou cada vez mais instável. Não tem lógica. Tomo diariamente 600mg de Lítio (estabilizador do humor) e 0.50mg de Risperidona (antipsicótico), acontece que eu NUNCA fiquei estável com menos de 1.350mg de Lítio/dia. 

Pedi várias vezes ao psiquiatra para aumentar a dose do Lítio, mas ele se recusa e insiste que para meu problema a terapia é o tratamento mais eficaz. A Risperidona ele só concordou em aumentar depois de eu ter despirocado feio dia desses. Posso não ser psiquiatra, mas conheço meu histórico de crises melhor do que ele e acredito que as doses que tomo hoje estão sim muito baixas. Só que ele não concorda comigo e eu não posso me automedicar. 

Não sei o que fazer. Tenho lidado com essa instabilidade a vida inteira. Tento levar uma vida normal e plena (apesar das recaídas) desde o fim da minha adolescência, mas é muito difícil me manter estável e ter o que os outros têm, fazer o que os outros fazem. Para a maioria das outras pessoas, formar uma família, ter uma carreira, comprar uma casa e fazer uma viagem representam transições normais da vida. Para alguém como eu, tais transições, ainda que desejadas, são extremamente estressantes e têm o potencial de provocar tormentas emocionais violentíssimas em mim. 

Estou cansada e desmotivada. Parece que estou girando em círculos. É um eterno construir e desconstruir, ganhar e perder, começar e recomeçar. Estou sempre recomeçando, mas é como se nunca saísse do lugar. Cansa. Estou me desesperando. Perdi a coragem, estou morta de medo. A última recaída me deixou tão devastada que ainda estou tentando juntar os cacos e analisar o que aconteceu. Mas agora é só essa sensação horrível de estar esvaziada e desconectada de mim mesma.

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Without Conscience

A resenha de hoje no site O que elas estão lendo!? traz uma sugestão minha do livro Without Conscience: the disturbing world of the psychopaths among us, do psicólogo canadense Dr. Robert Hare, um dos maiores especialistas do mundo em psicopatia. No livro, Hare parte de seu trabalho com detentos em uma prisão canadense para entender o funcionamento da mente dos psicopatas e a razão de eles não sentirem remorso nem aprenderem com a punição. O psicólogo e criador de uma escala usada mundialmente para medir os diversos graus de psicopatia descreve em seu livro as principais características, causas e sintomas da psicopatia, ao mesmo tempo que lança mão de exemplos reais e casos notórios para diferenciar os diversos tipos de psicopatas, além dos impactos provocados por suas ações em nossa sociedade. Vale a leitura!

*Não sei se esse livro já foi traduzido para o português.
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Marido prendado

A maioria das mulheres sonha com um marido prendado, daqueles que sabem fazer serviço de encanador, pedreiro, eletricista e mecânico. Nunca fui tão ambiciosa, eu só queria mesmo um marido que cozinhasse igual meu pai, porque cresci achando que marido que cozinha fazia parte do pacote que vinha com o casamento. Oh, ilusão! Quando solteiro, meu marido nunca tinha cortado grama, removido neve, cozinhado, pintado uma parede ou feito um único conserto na casa. Quando mudei para cá criamos o hábito de pagar por esses serviços porque não sabíamos fazer nada, mas agora o marido resolveu ficar mais handy e tem aprendido um monte de coisas novas, a maioria delas sozinho, como instalar cortinas e lustres, pintar paredes e fazer pequenos consertos. Sua mais recente empreitada foi pintar o lustre da nossa sala de jantar e as luminárias da sala de visitas. Ficaram lindos. Estou impressionada com meu marido, de verdade, porque nunca imaginei que ele um ida iria tomar a iniciativa pra esse tipo de coisa. Nós continuamos sendo um daqueles casais não prendados em nada, o consolo é que temos economizado desde que decidimos aprender a fazer algumas coisas nós mesmos. Um avanço.
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